Maria

de Regino

Escritora, tradutora, ilustradora e professora de literatura

Pequenos Leitores

Língua de trapo

Depois de repetir uma palavra ouvida em uma conversa do pai, Renata, sem querer, criou uma bela confusão. Vendo que todos estão aborrecidos com ela, a menina pega Ritinha, sua ratinha branca, e sobe em uma goiabeira, onde pretende ficar escondida até que tudo se acalme. 

“Hoje Rita, eu vou dormir aqui. Não desço mesmo. Descer pra quê? Só pra levar bronca e ficar de castigo? Desta vez, até minha avó ficou brava comigo. Quando passei pela cozinha, ela fechou a cara e falou: – Você, hein, Renata, tem a língua maior que a boca!”

É duro ser criança

Paulinho vive com a imaginação a mil por hora! Tudo o que chama sua atenção pode se transformar em histórias fantásticas! Mas no melhor da aventura, há sempre alguém que aparece para atrapalhar… 

“A invasão dos monstros extraterrestres terminou num grande fracasso. Com minha poderosa superarma a laser, explodi todas as naves alienígenas. Os discos voadores dos inimigos se transformaram em sucata! Sorri satisfeito com o resultado daquela batalha, manobrei minha espaçonave e já ia voltando para a base quando… – Sai de dentro do tanque Paulinho! Já falei pra você não brincar aí!”

Por causa de um pé

 

Duas irmãs, um sofá, uma tevê e uma cutucada na costela, que vira uma guerra de almofadas e de chinelos voando, até que o pai abre a porta da sala…

“Tudo começou por causa de um pé. Eu estava quieta, no meu canto, vendo o final de um filme de suspense na tevê, quando minha irmã chegou, se esparramou no sofá e começou a cutucar minhas costelas com o dedão do pé. Já viu coisa mais chata que cutucada na costela? Mas eu estava prestando atenção ao filme, louca pra descobrir se o criminoso era o médico com cara de maluco ou o vizinho misterioso que morava no primeiro andar. E foi por isso que, em vez de reagir à altura, só me encolhi mais pro canto e resmunguei um ‘para com isso’.”

Eu e minha cama

A cama de Mariana é o melhor lugar do mundo quando ela se sente triste, com sono ou cansada de brincar. É em sua cama que ela lê os livros de histórias, que levam sua imaginação a lugares mágicos.

“A colcha de minha cama é um céu azul estrelado. O travesseiro macio é uma nuvem, que se transforma em cavalo de asas brancas e me leva pelos ares. Sentada entre estrelas azuladas, abraço Luar, o meu gato, e amarro em seu pescoço uma fitinha dourada. Espichado no tapete, Luar faz companhia às bonecas, que esperam, bem quietinhas, o espetáculo começar. Prendo o cabelo, pinto a boca de vermelho, coloco brincos, colares, e com a minha colcha, invento um vestido comprido. Calço correndo os sapatos de salto, pois no palco iluminado já anunciam: – Senhoras e senhores! Esta noite apresentamos a grande estrela… Maaariana!!!”

O coral dó-ré-minhoca

Embaixo de um pé de alface, o Maestro Minhocuçu vai começar o ensaio do Coral Do-ré-minhoca, que se apresentará na Grande Reunião Anual da Minhocas. Mas com minhoquinhas tão indisciplinadas, essa tarefa não será fácil.

“Maestro – Um, dois, três e…
Minhoquinhas – Minhoca, minhoca, me dá uma beijoca…
Miloca –  Aaaaaaaaaai!
Maestro – Que foi Miloca?
Finoco- Ela está com dor de dente. Hi, hi, hi…
Maestro – Dor de dente? Como dor de dente? Minhoca não tem dente!”

Tem acento?

Naquela tarde, Luísa estava aborrecida por causa na nota da prova de Português. Quando conta para a tia Manoela suas dificuldades com acentos, tem uma aula inesperada e bem engraçada.

“Toda sexta-feira é a tia Manoela que me busca na escola. Eu acho ótimo. Primeiro, porque não preciso ir toda apertada no banco de trás do ônibus escolar. Depois, porque ela é muito comilona e sempre me leva pra comer alguma coisa gostosa. Mas aquele não era mesmo o meu dia. Entregaram o boletim e a nota de português me deixou de mau-humor. Entrei no carro, coloquei o cinto de segurança, me abracei à mochila e não abri a boca.”

Código secreto

Duas amigas: Vera e Luísa, uma aula de português, uma professora revisando os erros dos alunos na prova, uma troca de bilhetes, um código secreto, um susto e uma situação complicada.

“Vera é minha melhor amiga. A gente se senta sempre no mesmo lugar, no canto da sala, perto da porta, que é pra sair mais depressa quando a aula acaba. É um lugar legal pra trocar bilhetinhos, usando nosso código secretíssimo, que nós inventamos depois que um bilhete da Vera, dizendo que o Ronaldo era o garoto mais fofinho da escola, caiu na mão do Tadeu, um xereta que senta na segunda fileira. O assunto, claro, era confidencial, mesmo assim ele teve a coragem de ler, bem alto, pra toda a turma. Depois que inventamos o código, todo mundo fica doido pra saber o que a gente escreve, mas ninguém consegue descobrir.”

A crase indigesta

Tia Manoela está meio gordinha e precisa se exercitar. Uma tarde, resolve levar sua sobrinha Luísa a um clube, para jogarem ping-pong. Depois de perder três partidas, Manoela dá uma aula inesperada sobre o uso da crase. 

“Joguei uma bola baixa, de quina, e ela foi parar longe, perto da porta. Minha tia fez uma careta e foi, se arrastando, pegar a bolinha. Corri até o quadro e marquei “12” embaixo do meu nome. Era a terceira partida que eu ganhava naquela manhã. Tia Manoela é bem gorduchinha e desde o dia que entalou na roleta do ônibus, começou a pensar em fazer um regime para perder uns quilinhos. No começo estava muito animada. Procurou uma nutricionista, mas se assustou com a dieta radical: nada de massas, doces, sorvetes, refrigerantes, enfim, nada do que ela adora comer.”

Anis, a bruxinha

Ao usar o livro de mágicas de sua avó, Anis fica bem pequenina e cai dentro de um chapéu de ponta em caracol, onde encontra uma avestruz tagarela, louca por adivinhas. De adivinha e adivinha, Anis segue explorando o estranho mundo do chapéu, mas como não aprendeu a mágica para voltar a crescer, tem medo de não poder voltar para casa.

“Devo ter errado alguma coisa, porque em vez de encolher descendo, da cabeça para os pés, encolhi dos pés para a cabeça. O chapéu caiu para um lado, virou de ponta para baixo e ficou entalado entre a mesa e a cadeira. Foi uma sorte eu não ter soltado, com o susto, a pluma de avestruz. Bem devagar, como se fosse um paraquedas, a pluma foi caindo, caindo, e caiu dentro do chapéu. Passei por uma nuvem cor-de-rosa, um aeroplano azul, um passarinho verde, uma pipa amarela… Mal tocamos o chão, a minha pluma-para-quedas virou uma avestruz de rabo emplumado, que me perguntou com uma voz engraçada:
— O que é o que é que cai em pé e corre deitada?
A adivinha era tão boba que não dava nem vontade de responder, mas respondi:
— É a chuva.
Mal acabei de falar, começou a cair uma chuvinha fina e gelada.”

A bruxa da rua das acácias

Apesar do medo que sentiam da “velha do saco” e de todas as coisas terríveis que diziam acontecer entre as árvores altas do bosque, protegido por uma cerca alta, de tela, com portão azul, as crianças do Condomínio do Bosque costumavam jogar bola na rua das Acácias, pois era a única rua sombreada do condomínio. As histórias sobre a velha eram assustadoras. Por isso, no dia em que a bola caiu do outro lado da cerca, ninguém quis pular a cerca para procurar a bola no meio da mata. Paulina, a mais corajosa do grupo, pulou o portão e desafiou os garotos a acompanhá-la.

“Quando Miguel se preparava para pular o portão, Lucas se aproximou e disse em voz baixa:
― Cuidado, essa velha é perigosa…
E lembrou o mistério que alimentava as conversas nas esquinas e no jogo de bafo:
― Ninguém sabe o que ela carrega naquele saco preto…
Duda deu dois passos para trás.
―E pega bicho morto na rua: rato, gato, urubu… pra fazer sopa ― completou Lucas, com os olhos arregalados.
Miguel, já no alto do portão, pronto para passar para o outro lado, perguntou:
― Quem disse isso?
― Meu irmão. Ele viu a velha pegando um rato morto ali na esquina. E quando perguntou o que ela ia fazer com aquilo, sabe o que ela respondeu? Que ia fazer uma sopa.”

Leitores Jovens

DEPOIS DO CAOS

Pouco antes do colapso das comunicações, as notícias vindas do exterior anunciavam desastres ainda maiores. Em vários pontos do globo, nuvens radioativas pairavam sobre cidades destruídas. Em todo o planeta, os sobreviventes experimentavam uma terrível sensação, misto de impotência, desamparo e solidão. Pablo precisava sair à procura de sua mãe, mas fora da bolha geodésica onde vive protegido, as áreas marginais haviam se tornado praticamente intransitáveis, por causa dos confrontos com os bandos de “marginais”. Com a ajuda de Robug, Pablo consegue fugir da bolha em um veículo blindado. Nas áreas marginais ele descobrirá um mundo devastado, onde grupos de pessoas lutam, desesperadamente, para sobreviver. Mas as grandes transformações pelas quais passa o planeta podem estar apenas começando.

“De repente, no meio da frase, Robug se calou. As lâmpadas se apagaram. O carro parou. Nada funcionava. Era como se toda a energia dentro do lagartão tivesse sido sugada de uma só vez. Pablo gritou, chamando o robô, e começou a tatear no escuro procurando a grade protetora do controle externo de Robug. Quando encontrou, apertou, esmurrou a fileira de teclas e botões, mas não teve resposta. O robô continuava inerte. Depois de alguns segundos, na mais completa escuridão, uma luminosidade difusa foi se espalhando pelo lagartão. A terra voltou a tremer e Pablo desistiu do robô. O lagartão balançava como se a qualquer momento pudesse ser levado pelos ares.”

VENTO NORTE

Tudo no ateliê lembrava Rafael. A chegada de Luna, com estranhas notícias sobre Tisiu, foi uma surpresa para Rodrigo, mas a surpresa maior seria o seu encontro com o espantalho, na subida da Pedra do Encantado, onde, ao enfrentar o mistério da morte, Rodrigo começaria a compreender algo maior: a magia da existência.

“As luzes se apagaram e quase em seguida começou a chover. Novos relâmpagos clarearam o jardim. Rodrigo viu um vulto passar correndo pelo caminho que vinha da mata até o caramanchão. A tempestade ficou mais forte e os flashes sucessivos dos relâmpagos revelaram uma cena insólita. Alguém lá fora, sem se importar com a chuva, dançava uma dança estranha, feita de rodopios e saltos desajeitados. Rodrigo correu para a janela e colou o rosto no vidro molhado. Com susto e surpresa reconheceu o dançarino. Era Tiziu. Ninguém no mundo tinha mãos tão grandes.”

O PLANETA EROS​

Depois de séculos de devastação, o planeta Gaia sobrevivia sob severas leis de controle populacional. Fora das imensas cúpulas e das cidades subterrâneas, Gaia era um planeta morto. A esperança do povo de Gaia, de encontrar um novo mundo para colonizar, parecia prestes a se concretizar com a descoberta de Eros, um planeta pleno de recursos naturais. Para o comandante Tehôn, Eros era também a única possibilidade de sua filha mais nova, declarada excedente pelas leis de Gaia, ser aceita como cidadã. Os primeiros exploradores, porém, foram surpreendidos por uma criatura cósmica, de poder extraordinário, que se oporia aos planos traçados para o planeta Eros.

“Violentos e limitados por instintos ancestrais, aqueles homens haviam destruído Gaia com a avidez de um inseto que devora o próprio casulo. Embora estivessem prontos para descobrir novos espaços vitais em outros planetas, dificilmente deixariam de devastá-los com a mesma insensatez com que haviam devastado o seu próprio mundo. No entanto, fazendo parte dessa realidade insana estavam Psykhé e sua música. Dentro dela, ainda por decifrar, havia um segredo obscuro, de cuja profundeza poderiam brotar infinitos prodígios e pequenos milagres da vida. Amava-a. E mais do que isso, precisava dela. Sabia agora o que, por tanto tempo, havia esperando. Mobilizou o imenso arsenal de energias que tinha sob seu domínio e concentrou todas essas forças no objetivo de tê-la, o mais depressa possível, ao seu lado.”

MEMÓRIAS DA ESCURIDÃO

Lorena sofria com a mudança de sua família para uma chácara na periferia de Goiânia. Afastada de São Paulo, sua cidade natal, sentia-se infeliz entre as velhas mangueiras do lugar. A música de Beethoven, que Lorena tocava ao piano para enfrentar a tristeza e a solidão, atraiu uma nova e estranha amizade: Marcos, um fantasma que havia perdido as memórias de seu passado.

“Lorena sentiu que flutuava junto ao teto. Olhou para baixo e viu seu corpo adormecido sobre a cama. Uma força suave, mas irresistível, puxou-a para fora do quarto, fazendo com que atravessasse a parede com surpreendente facilidade. As copas das árvores do pomar projetavam sombras misteriosas sobre o gramado recém-aparado e foi de lá, do meio das árvores antigas, que um rapaz desconhecido veio caminhando devagar, com aquele jeito cuidadoso de quem tem medo de incomodar. O luar acentuava a palidez do rosto e sua expressão de tristeza era cativante, mas quando Lorena viu o rapaz estender a mão em sua direção, recuou.
              — Não tenha medo — ele pediu.
De repente, antes que pudesse responder ou iniciar um gesto, a mesma força misteriosa que a levara para fora sugou-a de volta ao corpo abandonado sobre a cama.”

Menino Passarinho

Mariana é professora, tem dezenove anos, e trabalha em uma escola rural. Entre seus alunos, há um menino, Curió, que não fala com pessoas, apenas com passarinhos. Depois de um roubo que deixa a escola sem condições para funcionar, Mariana tenta continuar suas aulas, com a ajuda de seu pai e se aproxima de Curió.   

“Mariana relembrou o primeiro dia em que o menino apareceu na escola. Quando chegou a hora de servir a merenda, ela chamou:
— Vem cá, eu ainda não sei o seu nome.
O garoto afastou o corpo, fugindo da mão que ela estendia para um afago, e ficou com os olhos baixos, olhando obstinado para os próprios pés. Mariana insistiu:
— Como você se chama?
Sem levantar os olhos do chão ele respondeu com trinados, com voz de passarinho. Um dos alunos, que acompanhava meio de longe a conversa, se aproximou:
— Ele não sabe falar, professora, mas viu como imita direitinho um curió?
Ela achou graça e estendeu a tigela com a merenda para o garoto:
— Puxa, que pena! Eu não sei falar língua de curió. Mas se você é tão esperto, se sabe até falar língua de passarinho, também pode falar comigo na língua que a gente fala aqui na escola, não é?
Ainda meio ressabiado ele levantou os olhos. Eram cor de mel, claros e transparentes. Quando o menino estendeu a mão para pegar a merenda, Mariana viu que alguma coisa brilhou naquele rosto sem sorriso. Mas foi um brilho rápido, como o piscar de um vaga-lume. Tão breve que não conseguiu afastar de seu olhar fugidio as sombras do medo e da solidão.”

Leitores Adultos

TRÊS LUAS DE VERÃO E UMA FIGUEIRA ENCANTADA

A separação dos pais, a viagem para o litoral, a casa do avô, para Arthur, tudo era novo e assustador. Entre tantos acontecimentos angustiantes, a descoberta de uma mulher misteriosa, no fundo do oco de uma figueira imensa, levará Arthur a desafiar a si mesmo, a transformar desencontros em encontros e a converter medo em coragem. 

“Nenhuma árvore assim, tão grande, fazia parte das lembranças de Arthur. Acompanhei seus passos enquanto ele atravessava a rua, os olhos em renovado assombro, rolando entre os dedos a pedra que trazia no bolso. Diante do tronco enorme, engrossado por camadas e camadas de raízes pendentes, o garoto imaginou os tufos de raízes finas, que desciam dos galhos mais grossos até o chão, como os pelos de um bicho-planta, muito velho e cansado. Antes de se lançar à escalada das raízes, pensou que a árvore tinha mesmo aquele jeito cansado que as coisas velhas costumam ter.”

Traduções

Odisseia: Homero

Odisseu retorna à terra natal, depois de vinte anos de ausência. Traz na memória a fúria dos combates em Tróia e a luta contra monstros terríveis. Suas melhores armas são a inteligência, a perspicácia e a coragem, mas como enfrentará os homens que invadiram sua casa, para forçar Penélope, sua esposa, a se casar com um deles? O que fazer e em quem confiar, para retomar o que é seu por direito? Diante desse novo desafio, uma dúvida o atormenta: após vinte anos de espera, Penélope teria cedido ao assédio dos pretendentes ou ainda lhe seria fiel?

A presente adaptação do texto homérico foi realizada como parte de um projeto de extensão do Curso de Letras: Libras da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás-UFG, visando como produtos: uma série para a Fundação RTVE (TV UFG), dentro da programação iniciada com A Hora do Conto, que apresenta narrativas de tradição oral (fábulas e contos de fadas) em libras e português; a publicação em 3 volumes da Odisseia para a Bibliolibras: Biblioteca Bilíngue de Literatura Infantil e Juvenil (Libras-Português) em forma de video livro e áudio livro, além deste e-book, em um único volume, publicado pela Kindle-Amazon.

Enuma Elish: O poema mesopotâmico da criação

Na antiga Mesopotâmia a luta entre o caos e a ordem cósmica, presente em todos os mitos cosmogônicos, foi transformada em um drama, expresso no poema Enuma Elish. Trata-se de um poema dramático, escrito para ser entoado, representado, ou recitado solenemente no início de cada ano, no quarto dia da festa do Ano Novo. O poema, em seu idioma original, embora sem a presença de rimas ou aliterações, apresenta alguma assonância, como os cantos gregorianos, e de forma semelhante aos poemas gregos, devia ser cantado com acompanhamento musical. O Enuma Elish conta a criação do universo e estabelece a genealogia dos deuses mesopotâmicos. Narra o nascimento de Marduk, os eventos que levaram esse deus a obter a supremacia sobre os outros deuses e os que levaram à construção da cidade de Babilônia.

 

Dramaturgia de Rosvita de Gandersheim

Rosvita de Gandersheim, a primeira mulher a escrever dramaturgia no Ocidente, nasceu no século X, na Saxônia, sob a Dinastia Otoniana. Ingressou muito jovem na abadia de Gandersheim, construída para abrigar mulheres de origem nobre, cuja escola era dirigida por religiosas beneditinas. Quando poucos na Europa sabiam ler, Rosvita escrevia em latim, conhecia o grego e dominava as disciplinas do currículo carolíngio, formado pelo “quadrívium”, que reunia aritmética, geometria, música e astrononomia, e pelo “trivium”, com as três disciplinas: lógica, gramática e retórica, relacionadas ao estudo do texto.

Os manuscritos de Rosvita de Gandersheim, depois de séculos de esquecimento, foram descobertos por Conradus Celtis, em 1494, na abadia de Saint Emmeram, em Regensburg. A partir desses originais, foi organizada a primeira impressão de suas obras completas, em 1501, na cidade de Nuremberg, com ilustrações de Albrecht Dϋrer. Descrita por Celtis como “Rara avis”, Rosvita define a si mesma como “a voz forte de Gandersheim”.

Rosvita deixou uma obra que revela seus dons para a dramaturgia, a narrativa poética e os relatos históricos. Em seus dramas, Rosvita parece tentar demonstrar que, em um mundo dominado por homens, onde as mulheres, fisicamente mais frágeis, são obrigadas a se submeter às leis patriarcais, a fé cristã pode se tornar uma fonte de coragem, de alimento que fortalece, diante de enfrentamento tão desigual. Atualmente, a obra de Rosvita é de grande importância para os que pesquisam a Renascença Otoniana, a História das mulheres, o Cristianismo medieval e a perspectiva feminina na produção literária do Medievo.

Antígona - Sófocles

A peça Antígona faz parte da trilogia tebana de Sófocles, é uma das peças mais belas e universais que podemos conhecer. Composta por volta de 442 a.C, é cronologicamente a terceira peça da sequência que o dramaturgo criou: Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona. A personagem que leva o nome do título é filha de Édipo, e irmã de Etéocles e Polinice. Antígona é a tragédia da boa filha que morreu por obedecer aos mandamentos divinos em contraposição à vontade despótica de um tirano. Seu tema predileto, como o de toda tragédia grega, era o destino. Sófocles, embora tivesse o homem como o centro do mundo, acreditava no poder dos deuses e na predestinação.

Teogonia - Trabalhos e dias - Hesíodo

Afora aquilo que ele conta sobre si mesmo em seus poemas, pouco se sabe sobre Hesíodo. Em Teogonia, o poeta fala sobre a origem do universo e a genealogia dos deuses e dos heróis (estes últimos são os nascidos da união de deuses com mortais). Em Trabalhos e dias, além de narrar mitos como o de Pandora, o de Prometeu, entre outros, Hesíodo faz uma série de recomendações a Perses (seu irmão) sobre a necessidade de cultuar o esforço e o trabalho, indispensáveis para que possa existir verdadeira justiça.

Apologia de Sócrates: Edição Bilingue

Sócrates não deixou nada escrito. Suas ideias nos são dadas a conhecer pelos diálogos do discípulo Platão. Apologia de Sócrates aborda o evento do julgamento e condenação do filósofo, bem como sua bela defesa: em vez de defender sua vida, defendeu suas ideias e a integridade de sua consciência.

Textos Acadêmicos

VERDE LUNA: O DRAMA AGRO-LUNAR E AS VERTENTES DO IMAGINÁRIO NO TEATRO DE GARCÍA LORCA

Esta tese de doutorado investiga, por meio de estudos interdisciplinares e, principalmente, antropológicos, o fenômeno simbólico na obra dramática de Federico García Lorca, elucidando a conexão entre mitos primitivos e o processo de remitologização na obra dramática lorquiana. Além disso, será verificado em que medida a rede de significações é tecida nesses textos, a partir da hermenêutica das imagens simbólicas e dos motivos neles presentes, apontando a intertextualidade entre as narrativas míticas e as literárias. Ao enfocar o texto lorquiano do ponto de vista do imaginário, será possível traçar os itinerários das imagens e das constelações de imagens por ele suscitadas, reconhecendo seus esquemas e arquétipos. Por fim, tomando como base a afirmação de Gilbert Durand de que “a universalidade dos arquétipos e dos esquemas não arrasta ipso facto a dos símbolos”, pretende-se buscar a “tensão” sociológica que especifica o simbolismo do arquétipo e do esquema universal na obra dramática de García Lorca. Com essa pesquisa, pretende-se ainda contribuir para o desenvolvimento da Crítica do Imaginário no Brasil, enfocando a obra dramática de Federico García Lorca à luz da hermenêutica simbólica.

Textos em Libras

Contos em Libras

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