Maria

de Regino

Escritora, tradutora, ilustradora e professora de literatura

Audiolivros

#1

VENTO NORTE

Tudo no ateliê lembrava Rafael. A chegada de Luna, com estranhas notícias sobre Tisiu, foi uma surpresa para Rodrigo, mas a surpresa maior seria o seu encontro com o espantalho, na subida da Pedra do Encantado, onde, ao enfrentar o mistério da morte, Rodrigo começaria a compreender algo maior: a magia da existência.

“As luzes se apagaram e quase em seguida começou a chover. Novos relâmpagos clarearam o jardim. Rodrigo viu um vulto passar correndo pelo caminho que vinha da mata até o caramanchão. A tempestade ficou mais forte e os flashes sucessivos dos relâmpagos revelaram uma cena insólita. Alguém lá fora, sem se importar com a chuva, dançava uma dança estranha, feita de rodopios e saltos desajeitados. Rodrigo correu para a janela e colou o rosto no vidro molhado. Com susto e surpresa reconheceu o dançarino. Era Tiziu. Ninguém no mundo tinha mãos tão grandes.”

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#2

O PLANETA EROS

Depois de séculos de devastação, o planeta Gaia sobrevivia sob severas leis de controle populacional. Fora das imensas cúpulas e das cidades subterrâneas, Gaia era um planeta morto. A esperança do povo de Gaia, de encontrar um novo mundo para colonizar, parecia prestes a se concretizar com a descoberta de Eros, um planeta pleno de recursos naturais. Para o comandante Tehôn, Eros era também a única possibilidade de sua filha mais nova, declarada excedente pelas leis de Gaia, ser aceita como cidadã. Os primeiros exploradores, porém, foram surpreendidos por uma criatura cósmica, de poder extraordinário, que se oporia aos planos traçados para o planeta Eros.

“Violentos e limitados por instintos ancestrais, aqueles homens haviam destruído Gaia com a avidez de um inseto que devora o próprio casulo. Embora estivessem prontos para descobrir novos espaços vitais em outros planetas, dificilmente deixariam de devastá-los com a mesma insensatez com que haviam devastado o seu próprio mundo. No entanto, fazendo parte dessa realidade insana estavam Psykhé e sua música. Dentro dela, ainda por decifrar, havia um segredo obscuro, de cuja profundeza poderiam brotar infinitos prodígios e pequenos milagres da vida. Amava-a. E mais do que isso, precisava dela. Sabia agora o que, por tanto tempo, havia esperando. Mobilizou o imenso arsenal de energias que tinha sob seu domínio e concentrou todas essas forças no objetivo de tê-la, o mais depressa possível, ao seu lado.”

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#3

DEPOIS DO CAOS

Pouco antes do colapso das comunicações, as notícias vindas do exterior anunciavam desastres ainda maiores. Em vários pontos do globo, nuvens radioativas pairavam sobre cidades destruídas. Em todo o planeta, os sobreviventes experimentavam uma terrível sensação, misto de impotência, desamparo e solidão. Pablo precisava sair à procura de sua mãe, mas fora da bolha geodésica onde vive protegido, as áreas marginais haviam se tornado praticamente intransitáveis, por causa dos confrontos com os bandos de “marginais”. Com a ajuda de Robug, Pablo consegue fugir da bolha em um veículo blindado. Nas áreas marginais ele descobrirá um mundo devastado, onde grupos de pessoas lutam, desesperadamente, para sobreviver. Mas as grandes transformações pelas quais passa o planeta podem estar apenas começando.

“De repente, no meio da frase, Robug se calou. As lâmpadas se apagaram. O carro parou. Nada funcionava. Era como se toda a energia dentro do lagartão tivesse sido sugada de uma só vez. Pablo gritou, chamando o robô, e começou a tatear no escuro procurando a grade protetora do controle externo de Robug. Quando encontrou, apertou, esmurrou a fileira de teclas e botões, mas não teve resposta. O robô continuava inerte. Depois de alguns segundos, na mais completa escuridão, uma luminosidade difusa foi se espalhando pelo lagartão. A terra voltou a tremer e Pablo desistiu do robô. O lagartão balançava como se a qualquer momento pudesse ser levado pelos ares.”

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Arquivo direto: Depois do Caos

#4

MEMÓRIAS DA ESCURIDÃO

Lorena sofria com a mudança de sua família para uma chácara na periferia de Goiânia. Afastada de São Paulo, sua cidade natal, sentia-se infeliz entre as velhas mangueiras do lugar. A música de Beethoven, que Lorena tocava ao piano para enfrentar a tristeza e a solidão, atraiu uma nova e estranha amizade: Marcos, um fantasma que havia perdido as memórias de seu passado.

“Lorena sentiu que flutuava junto ao teto. Olhou para baixo e viu seu corpo adormecido sobre a cama. Uma força suave, mas irresistível, puxou-a para fora do quarto, fazendo com que atravessasse a parede com surpreendente facilidade. As copas das árvores do pomar projetavam sombras misteriosas sobre o gramado recém-aparado e foi de lá, do meio das árvores antigas, que um rapaz desconhecido veio caminhando devagar, com aquele jeito cuidadoso de quem tem medo de incomodar. O luar acentuava a palidez do rosto e sua expressão de tristeza era cativante, mas quando Lorena viu o rapaz estender a mão em sua direção, recuou.
              — Não tenha medo — ele pediu.
De repente, antes que pudesse responder ou iniciar um gesto, a mesma força misteriosa que a levara para fora sugou-a de volta ao corpo abandonado sobre a cama.”

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Arquivo direto: Parte 1 e Parte 2

#5

TRÊS LUAS DE VERÃO E UMA FIGUEIRA ENCANTADA

A separação dos pais, a viagem para o litoral, a casa do avô, para Arthur, tudo era novo e assustador. Entre tantos acontecimentos angustiantes, a descoberta de uma mulher misteriosa, no fundo do oco de uma figueira imensa, levará Arthur a desafiar a si mesmo, a transformar desencontros em encontros e a converter medo em coragem. 

“Nenhuma árvore assim, tão grande, fazia parte das lembranças de Arthur. Acompanhei seus passos enquanto ele atravessava a rua, os olhos em renovado assombro, rolando entre os dedos a pedra que trazia no bolso. Diante do tronco enorme, engrossado por camadas e camadas de raízes pendentes, o garoto imaginou os tufos de raízes finas, que desciam dos galhos mais grossos até o chão, como os pelos de um bicho-planta, muito velho e cansado. Antes de se lançar à escalada das raízes, pensou que a árvore tinha mesmo aquele jeito cansado que as coisas velhas costumam ter.”

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#6

A bruxa da rua das acácias

Apesar do medo que sentiam da “velha do saco” e de todas as coisas terríveis que diziam acontecer entre as árvores altas do bosque, protegido por uma cerca alta, de tela, com portão azul, as crianças do Condomínio do Bosque costumavam jogar bola na rua das Acácias, pois era a única rua sombreada do condomínio. As histórias sobre a velha eram assustadoras. Por isso, no dia em que a bola caiu do outro lado da cerca, ninguém quis pular a cerca para procurar a bola no meio da mata. Paulina, a mais corajosa do grupo, pulou o portão e desafiou os garotos a acompanhá-la.

“Quando Miguel se preparava para pular o portão, Lucas se aproximou e disse em voz baixa:
― Cuidado, essa velha é perigosa…
E lembrou o mistério que alimentava as conversas nas esquinas e no jogo de bafo:
― Ninguém sabe o que ela carrega naquele saco preto…
Duda deu dois passos para trás.
―E pega bicho morto na rua: rato, gato, urubu… pra fazer sopa ― completou Lucas, com os olhos arregalados.
Miguel, já no alto do portão, pronto para passar para o outro lado, perguntou:
― Quem disse isso?
― Meu irmão. Ele viu a velha pegando um rato morto ali na esquina. E quando perguntou o que ela ia fazer com aquilo, sabe o que ela respondeu? Que ia fazer uma sopa.”

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